Conceitos

Respeito

A construção do conhecimento passa necessariamente pelo conceito de respeito. Sem respeito não há diálogo e sem diálogo não se constrói nada. Quem sabe seja possível reproduzir, memorizar, mas a construção requer troca, contraponto. É um movimento, um fluxo que precisa ser livre para partir de um sujeito ao outro, convidando-o a fazer parte de um processo de descoberta.

Pode parecer elementar a discussão sobre o respeito na educação, seja ela escolar ou não, mas infelizmente não é. Ainda vemos processos educativos pautados na ideia de que os alunos (sim, aqueles sujeitos sem luz que devem ser iluminados por um mestre) devem apenas receber o conhecimento, memorizar e reproduzi-lo. Este modelo está fadado ao fracasso, se o conhecimento acabar sendo construído dentro deste sistema é por mérito exclusivo do sujeito Aprendente, que apesar do ambiente desfavorável, encontra brechas para dialogar com o objeto de estudo, com suas fontes ou mesmo com o mestre.

Tábula rasa romana

Houve um tempo, e para alguns este ainda permanece, em que se acreditava que uma criança era uma tábula rasa, tal qual as pequenas placas utilizadas na antiguidade para escrever. Elas eram revestidas de cera para que fossem raspadas e o conteúdo apagado, tornando-se rasas, vazias novamente. O filósofo moderno John Locke as tomou como expressão, assim como Aristóteles já havia feito, para dizer que não há conhecimento inato, nascemos como uma tábula rasa, uma folha em branco, é através da experiência que recebemos os primeiros traços, o conteúdo que nos forma.      

No campo da educação a ideia da criança como uma tábula rasa se consolidou e de certa maneira ainda está presente. Quando entendemos que uma criança ainda está vazia quando chega a escola, ignoramos as experiências que ela tenha vivido e a cultura a qual está inserida. Quando olhamos para um adolescente e ainda o tomamos como folha em branco, estamos fechando os olhos para um sujeito dotado de história, cultura e conhecimento.

Ao tomarmos a infância e a adolescência como vivências que não são capazes de trazer bagagem ao sujeito, estamos inviabilizando um processo de construção de conhecimento que seja significativo e respeitoso.

Para respeitar uma criança ou um adolescente precisamos em primeiro lugar enxerga-los como um sujeito, escutá-los, respeitar a voz que eles têm. Não precisamos dar voz a eles, apenas oferecer nossos ouvidos. É nesta dinâmica de respeito que todo o processo educacional precisa ter início.

Quando há diálogo, há escuta e ao escutá-los percebemos que suas experiências, suas características os tornam diferentes entre si. Esse é mais um ponto em que a tábula rasa nos distancia da realidade, raspando as diferenças e forjando uma falsa homogeneidade.

O respeito ao sujeito, a sua história e a sua singularidade é um conceito chave para a Mente Aprendente, por entender que toda a relação humana assim deve ser pautada.

É no respeito que construímos um espaço de educação. É com respeito que lidamos com o outro. É através do respeito que construímos conhecimento e um mundo diferente.   

Historiadora, mestre em ensino de História e pós-graduanda em Neuropsicopedagogia clínica e Educação Especial e Inclusiva. Mãe de Mariana Flor de 5 anos e Antônia Dara de 1 ano.

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